“Viver, e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”.

Gonzaguinha.

O Austríaco Rudolf Steiner, (1861 a 1925), conferencista, escritor e fundador da Ciência Antroposófica, nos apresentou, entre outros conceitos e estudos, um modelo de compreensão da entidade humana e de seu funcionamento. A vida apresenta as qualidades das mesmas dimensões que nos definem. Dizendo de outro modo, podemos enxergar a nossa vida a partir das mesmas dimensões que nos formam e nos caracterizam. Ao fazermos isso podemos ver com mais clareza o que temos, o que somos, o que queremos e o que poderemos ser.

A entidade humana, seu funcionamento e a vida

A parte mais tangível, material, palpável, concreta de nosso ser é o corpo físico. Primeira dimensão da existência, este habitáculo é composto dos mesmos elementos encontrados no universo. Somos “poeira de estrelas” como já disseram. Elementos químicos, células, órgãos, tecidos, sistemas, ossos, músculos, líquidos combinados de uma maneira específica, dão estrutura e forma exterior a quem somos. Nossa primeira e única casa, morada eterna. Por analogia, podemos também enxergar a vida pelo ponto de vista da dimensão material. Viver neste mundo pressupõe a obtenção, uso e guarda de recursos físicos e materiais. Precisamos de alimentos, água, abrigo, morada, entre outros bens. Nesse nível está tudo o que é observável, quantificável, palpável, percebido, experimentado. Aqui lidamos com o binômio presença X ausência. Ter ou não ter. Utilidade X Futilidade. Resolver problemas desse nível na vida requer que utilizemos habilidades técnicas, conhecimentos específicos das necessidades e possibilidades bem como da real utilidade das coisas. Faça uma lista dos bens, coisas, recursos, objetos, de seu patrimônio. Liste amplamente suas conquistas materiais, os recursos que utiliza para sobreviver. Agora pondere: Você tem as coisas mínimas, indispensáveis à sua vida? Existem bens que ainda precisam entrar para a sua lista? Os que estão são adequados às suas necessidades atuais e futuras? Há excessos, sobras? Todos os seus bens são realmente necessários e utilizados? Há espaço para diminuições, doações, trocas, renovações? Você precisa realmente de tudo isso para viver?

A segunda dimensão da entidade humana é o que Steiner chamou de corpo etérico ou vital, os processos complexos do metabolismo e das funções ativas no corpo que mantém o organismo vivo. Neste nível da existência temos o ânimo, a vitalidade, a energia, a vontade por assim dizer. Esta dimensão não é palpável, mas é sentida e observada por exemplo quando os nossos processos vitais estão funcionando, sem a participação da consciência, enquanto dormimos. Sem esta dimensão, estaríamos mortos. Aqui a escassez e excesso se manifestam, trazendo saúde ou gerando doença. Nesse nível, equilíbrio é a boa via. Seguindo a mesma lógica anterior, é possível olhar para a vida sob o ponto de vista dessa mesma dimensão vital. Pondere a respeito: você está saudável? Tem levado uma vida equilibrada? Tem se alimentado regular e adequadamente? Seu dia a dia tem alguma regularidade, previsão, controle? Como está a sua disposição? E sua vontade? Seu prazer e energia? Você se sente bem? Há espaço em sua vida para cuidar de você? Problemas nessa dimensão precisam ser resolvidos com o uso de habilidades administrativas. Você literalmente precisa decidir administrar melhor sua rotina, atividades, alimentação, sono, tempo, prazer e seu dinheiro para ter uma vida saudável e boa.

A próxima dimensão do ser humano é aquela que reúne o que a ciência tradicional chama de perfil psicológico, nossas emoções, sentimentos, anseios mais profundos, desejos, instintos, simpatias e antipatias, as esperanças e medos, as expectativas, aquilo que nos move e anima. A índole. Este conjunto de elementos intangíveis, mas expressados e percebidos quando interagimos com os outros, nas relações diárias é chamado de corpo astral para a Antroposofia. Houve uma época em que era comum dizermos do “astral” de alguém, exemplo de referência a esse nível. A vida também pode ser vista pela luz da alma. A esse nível da existência dá-se o nome de dimensão psicológica ou relacional. O ser humano se faz humano na presença de seus semelhantes. Não sobrevivemos sozinhos. Portanto nossas relações nos definem. Podemos encarar a vida sob o ponto de vista dos relacionamentos que construímos e mantemos, das interações que realizamos ou findamos e de quem então nos tornamos. Então eu o convido a pensar sobre suas relações. Você sente atração e prazer por alguém? Tem amigos de verdade (não apenas aqueles das redes sociais)? Encontra-se com eles e se divertem? Jogam, brincam, se animam com frequência? Você consegue também ceder, em nome de alegrar o outro? Prefere ser feliz ou ter razão? Faz algum ato caridoso, tem sido generoso, faz alguma contribuição voluntária? Como anda sua autoestima? Você gosta minimamente de você? Se respeita, se cuida, se desenvolve? Como andam as suas relações pessoais, familiares, profissionais, sociais? Tem tido prazer, alegria, satisfação e felicidade com elas? Ou há tempos esses sentimentos não aparecem? O lema aqui deveria ser a vida é bela. Para resolvermos problemas ou questões nesse nível é necessário utilizarmos e desenvolvermos habilidades interpessoais ou sociais. Faça uma lista das principais pessoas com as quais se relaciona. Há espaço para você melhorar as suas interações e relacionamentos? Existem relações que precisam ser terminadas, retomadas, iniciadas? Nesta dimensão qualidade é o que importa!

A última dimensão da entidade humana constitui a sua individualidade, o seu EU, aquilo que dá sentido, razão e propósito para a vida; aqui falamos da esfera espiritual ou existencial. No nível mais intangível de todos, temos o que é mais essencial: nossa filosofia de vida, a vocação, nossos valores, propósitos, princípios, visão e projeto existencial. Missão de vida. Aquilo que nos faz acordar pela manhã e prosseguir. Aquilo pelo que existir. O que nos define (a identidade) e o que vamos deixar nesse mundo (legado). A vida pode ser encarada pela lente do que dá sentido, do existencial, propósito ou legado. Esta é a dimensão essencial da vida. Qual a sua vocação? Quais são os seus propósitos? Seus valores? O que define a sua existência? O que faz você fazer o que tem feito todos os dias? Onde você quer chegar? Que marca quer deixar no mundo ou nas pessoas a sua volta? O que quer ser? Essas perguntas se parecem com as famosas: quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Para onde você vai? O que vai deixar de legado? Em algum momento todos nós precisaremos responder a essas questões. Nessa dimensão a verdade deve ser a lei. Para equacionar as respostas a essa dimensão precisamos refletir e pensar, usar habilidades racionais.
Por fim, vale a certeza de que uma vida ampla, abundante e completa pode ser boa, bela e verdadeira. Uma boa parte disso está nas suas mãos.

Referências Bibliográficas

BURKHARD, Gudrum. Tomar a vida nas próprias mãos. Ed. Antroposófica, São Paulo, 1ª edição. 2000.

MOGGI, Jair; BURKHARD, Daniel. O Espirito transformador. Editora Antroposófica, São Paulo, 5ª edição. 2008.

LANZ, Rudolf. Noções básicas de Antroposofia. Editora Antroposófica, São Paulo, 5ª edição. 2000.

Reinaldo Paiva Psicólogo, Consultor Empresarial, Coach. Pós-graduado em Gestão de Negócio, Professional & Self Coaching e Behavioral Analyst pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). Experiência como executivo, facilitador de grupos e Coach.

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